Joaquim Chissano vence prémio por Boa Governação
Joaquim Chissano, Presidente de Moçambique entre 1985 a 2005, venceu hoje o Prémio Mo Ibrahim de Boa Governação, no valor de 3,5 milhões de euros, entregue pela primeira vez em Londres pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.
Na cerimónia de anúncio oficial, Kofi Annan salientou o contributo de Chissano «para uma democracia estável e para o progresso económico» de Moçambique e elogiou «a decisão de sair voluntariamente de cargo de Presidente», em 2005, decisão que «demonstrou que o processo democrático era mais importante».
Annan considerou igualmente que Moçambique «é uma das histórias de sucesso em Africa».
Falando em Maputo após o anúncio da atribuição do prémio ao ex-chefe de Estado moçambicano, o director-executivo da Fundação Joaquim Chissano sublinhou o empenho do ex-presidente na conquista da paz, após cerca de 16 anos de guerra civil, promoção da reconciliação nacional e abertura democrática.
«Para a escolha e olhando para os critérios a que a atribuição do prémio se subordinou, vê-se que contribuiu um conjunto de factores, entre os quais a abertura e consolidação democrática, bem como o desenvolvimento económico e social do país», enfatizou Leonardo Simão, ex-ministro da Saúde e dos Negócios Estrangeiros, nos últimos dois mandatos de Joaquim Chissano.
Simão afirmou que o laureado se manteve «sempre sereno e calmo», quando o seu nome começou a ser ventilado como favorito à conquista do Prémio Mo Ibrahim de Boa Governação, antes de rumar para o norte do Uganda, onde se encontra neste momento no âmbito da mediação do processo de paz naquele país.
Depois de ter granjeado simpatia internacional pela forma bem sucedida como conseguiu pôr termo a 16 anos de guerra civil no país e promoveu a reconciliação, Joaquim Chissano, que completa hoje 68 anos, viu o seu prestígio a aumentar, quando renunciou a uma terceira eleição à Presidência do país, apesar de a Constituição lhe permitir essa possibilidade.
Chissano sucedeu na chefia de Estado moçambicano Samora Machel, morto em 1986 num acidente de aviação, quando a FRELIMO era ainda o único partido legalmente permitido em Moçambique, tendo continuado no posto em 1994, quando ganhou as primeiras eleições presidenciais no país, a que se seguiu nova vitória em 1999, até à sua retirada, em 2005.
