Crianças orfãs no Projecto Ser Humano
Centenas de moçambicanos ficam infectados com o vírus da Sida a cada dia que passa. Os estudos publicados apontam para um número de 500 novas infecções por dia. Perante isto, um número crescente de crianças vive com pais cronicamente doentes, é órfã, ou cedo se tornará. Como orfão, o Governo Moçambicano define toda a criança que, por qualquer motivo, perdeu um ou ambos os pais.
Em 2006, mais de 380 mil crianças perderam os seus pais devido a doenças relacionadas com o VIH-Sida, prevê-se que até ao final deste ano, esse número suba para 440 mil. A pandemia está demasiado enraizada no país, de tal forma que, segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Moçambique integra o grupo de oito países da África Sub-Sahariana que irá conhecer um aumento significativo do número de crianças órfãs devido ao vírus da SIDA. A "factura" a pagar será alta, espera-se até 2010 que existam mais de 600 mil crianças nesta situação.
Segundo dados do Ministério da Mulher e Acção Social, as crianças tornadas órfãs, quer por esta pandemia, quer por outras causas, enfrentam várias vulnerabilidades e riscos, tais como exploração sexual e abuso, trabalho infantil perigoso, vida sexual precoce e casamento prematuro, baixa frequência escolar, problemas psico-sociais e de desempenho devido ao estigma e à falta de cuidados e de supervisão dos adultos.
Avaliada a situação de todas as 500 crianças contempladas pelo Projecto Ser Humano durante o ano de 2007, concluímos que um número muito próximo dos 70% são crianças orfãs.
No Centro das Irmãs Servas de Santa Maria do Cenáculo, na província de Gaza, o Projecto apoia 63 crianças, das quais 35 são orfãs, logo 56%.
Na casa do Gaiato, em Boane, província de Maputo, o Projecto apoia 108 rapazes dos quais 74 são orfãos (69%).
Na Casa Madre Maria Clara, na província de Maputo, das 115 meninas que estão ao abrigo do Projecto, 61 são orfãs, ou seja 53%. Infelizmente este número não é exacto, e o mais provável é que seja superior, pois não dispômos do histórico de 20% das beneficiárias desta casa (informação confidêncial a pedido da responsável do Centro).
No Centro Menino Jesus da Manhiça, na província de Maputo, 100% das meninas são orfãs, das 54 residentes na casa, 54 perderam o pai, a mãe ou ambos.
Na província de Tete, no Centro de Acoma, em Moatize o mesmo se sucede, das 57 crianças apoiadas pelo Projecto, todas são orfãs.
Ainda em Tete, no Centro de S. José de Clunny, estão ao abrigo do Projecto 56 crianças, das quais 50 são orfãs, 89%.
A situação menos dramática, mas ainda assim de salientar, verifica-se no Centro Juvenil Casa Madre Maria Clara, na província da Zambézia, onde apenas 15 das 47 meninas apoiadas pelo Projecto são orfãs, 32%.