Início do ano lectivo em Moçambique
Depois de uma longa guerra civil, que destruiu grande parte das infra-estruturas educativas do país, o sistema de educação em Moçambique tem registado importantes avanços, no sentido de se tornar mais inclusivo e democrático. Em 2005, as propinas para o ensino primário foram abolidas e hoje o país dispõem já de cerca de 119 mil docentes formados. Apesar dos grandes avanços na expansão do acesso à educação, o caminho a percorrer é longo, havendo ainda muito que fazer pela melhoria da qualidade de ensino.Um grande número de professores primários não tem formação adequada e no ensino primário do 1º grau, o rácio médio de professor-aluno é de 1 para 71. A taxa de conclusão, que representa o melhor indicador para medir a qualidade de ensino, continua baixa – quase metade das crianças em idade escolar no ensino primário abandonam a escola sem concluir a 5ª classe. Muitas escolas não possuem infra-estruturas adequadas de água e saneamento, há falta de carteiras e cadeiras e material escolar nas salas de aula. Além disso, o impacto da pobreza e do HIV agravou a responsabilidade das escolas, nomeadamente perante as crianças das famílias mais pobres, os órfãos e raparigas, grupos particularmente susceptíveis ao risco de abandonar a escola ou mesmo de não estudar.Segundo fonte do Ministério, “um dos pontos estratégicos do MEC para o presente ano é apostar na relevância do ensino, bem como na expansão do ensino secundário para permitir que todos tenham acesso”. O inicio das aulas foi antecipado duas semanas garantindo o aumento do tempo de permanência dos alunos na escola. Paralelamente, diversas outras medidas foram projectadas para o presente ano lectivo, com destaque para a distribuição gratuita do livro escolar, desde a 1ª à 7ª classes, a eliminação gradual do terceiro turno, o uso racional do tempo alocado para as aulas, a planificação e execução das jornadas pedagógicas, a redução gradual do rácio aluni-professor e formação contínua dos professores e gestores. A construção de escolas secundárias nas zonas rurais, a aposta nas escolas técnicas e na capacitação dos docentes das disciplinas profissionalizantes são também medidas importantes para o combate ao insucesso escolar e ao desemprego.
As expectativas estão altas e espera-se que este possa ser um ano de mudança e de grande progresso para o sistema de ensino moçambicano.
Fonte: O País
