Dia Internacional da Erradicação da Pobreza
Não parece ser por acaso que o "Dia Mundial da Alimentação" e o "Dia Internacional da Erradicação da Pobreza" caminhem lado a lado. Ontem celebrou-se o primeiro, hoje o segundo.
Todos os anos neste dia, o mundo une-se para celebrar esta data. Nunca é demais lembrar que 980 milhões de pessoas em todo o mundo continuam a viver com menos de um dólar por dia, ou seja, abaixo do limiar da pobreza.
A meta foi definida há oito anos pelas Nações Unidas e consagra o debate e a acção de líderes mundiais em torno de temas como a paz, o desenvolvimento, os direitos humanos e a igualdade de género.
A meio caminho de 2015 - ano em que deverão ser alcançados os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) - já foi possível resolver alguns problemas mas ainda falta solucionar muitos outros. Acabar com a pobreza e a fome, é o objectivo ambicioso que surge logo à cabeça.
Segundo um relatório recente da Organização das Nações Unidas (ONU), apesar dos significativos progressos alcançados ao longo das últimas décadas, cerca de 49% das crianças moçambicanas vivem ainda na pobreza absoluta, estando privadas de dois ou mais dos seus direitos: água, saneamento adequado, informação, educação, cuidados de saúde ou abrigo.
O mesmo relatório afirma que os preços crescentes dos alimentos e do combustível e a actual crise económica global estão a impedir os avanços em alvos como a concretização do primeiro objectivo.
Como já vem sendo hábito nestes dias, o Secretário Geral das Nações Unidas - Ban Ki-Moon -, pronunciou-se sobre o tema e assumiu que os desenvolvimentos actuais irão afectar directamente os esforços na redução da pobreza, porém ressalta que a estratégia passará por "nos mantermos focados nos ODM". "Olhando para o que já se fez e para o que ainda se pode fazer, não há dúvida de que é possível atingir o primeiro objectivo: pôr fim à pobreza. Sabemos aquilo que temos de fazer. Perdemos tempo, desperdiçamos oportunidades e deparamo-nos com mais desafios, agora é nossa responsabilidade recuperar o tempo perdido".
A crise económica internacional afectará a todos mas não poderá servir de justificação para cortar a ajuda ao desenvolvimento. Se as consequências podem ser complicadas para os doadores (países desenvolvidos), mais o serão para os países em desenvolvimento. O argumento da crise parece "falacioso e perigoso".
Parece unânime que esta é uma matéria em que todos têm responsabilidades. Os governos, juntamente com a sociedade civil, o sector privado e as organizações internacionais devem unir esforços e mesmo diante da situação actual, acreditar que nada está perdido e mesmo que o derrotismo se apodere de nós, devemos fazer aquilo que nos compete: honrar os nossos compromissos.
