Aumento da tarifa dos trasportes gera onda de violência em Maputo
Toda a estrutura de transportes em Moçambique assenta no mercado paralelo dos transportes semi-colectivos explorados por privados. Esta designação corresponde a uma imensidão de carrinhas, na linguagem do povo designadas de chapas, que cruzam, num constante rodopio, todas as ruas e avenidas da cidade em percursos semi-definidos.
A capital moçambicana foi, desde o despertar da manhã de ontem, palco de violentas manifestações. O protesto terá sido originado pelo aumento do preço dos bilhetes dos transportes semi-colectivos acordado entre o Governo e os proprietários das viaturas.
Em termos práticos, uma viagem inter-urbana que antes custava 5 meticais passou a custar 7,5 meticais (21 cêntimos) e a que antes custava 7,5 meticais passou agora a custar 10 meticais (28 cêntimos), ainda a que custava 15 meticais passou a custar 20 meticais (56 cêntimos).
Segundo consta, os protestos terão sido convocados via SMS. "No dia 5 ninguém deve apanhar chapa, ninguém deve trabalhar. Vamos fazer greve e exigir justiça camaradas, envie para outros, seja unido na luta contra a pobreza", afirma uma das mensagens enviadas desde ontem aos habitantes da cidade de Maputo.
Dezenas de carros da sociedade civil foram apedrejados, lojas encerradas, estradas cortadas por contentores de lixo e pneus queimados foi o cenário que se viveu durante todo o dia de ontem na cidade de Maputo. A polícia reagiu disparando para o ar, numa tentativa de dispersar os grupos de populares, que se iam agrupando noutros locais e erguendo novas barricadas. Até ao final da tarde de ontem registaram-se nove feridos e dois mortos.
O governo moçambicano reuniu-se ainda na tarde de ontem com os representantes dos operadores de transportes semi-colectivos de passageiros para encetar um novo diálogo sobre as novas tarifas que entraram em vigor e que motivaram graves tumultos em Maputo, de forma a harmonizar os interesses das transportadoras e dos transportados.
Ao que tudo indica, decidiram suspender o aumento das tarifas que inflamou a revolta, porém, durante a manhã de hoje, dia 6 de Fevereiro, a situação ainda não se encontra 100 % normalizada, vários estabelecimentos comerciais mantêm-se fechados, a quantidade de chapas que circulam no centro da cidade é praticamente nula.
No entanto, nos arredores, há relatos de que os transportes começam pontualmente a circular, mas ainda sem arriscar percursos longos da periferia para a cidade, avenidas que durante o dia de ontem estiveram interrompidas, já estão abertas ao tráfego, apesar de em alguns pontos os automóveis terem de contornar enormes contentores de entulho ainda abandonados no asfalto.
