Moçambique está a braços com mais uma calamidade


 Moçambique está a braços com mais uma catástrofe natural da sua história. Um mês depois de dado o alerta das cheias no centro de Moçambique, o pânico está a provocar o caos juntos dos afectados por esta calamidade de proporções incalculáveis. A região central de Moçambique foi, até ao momento, a mais fustigada pelas fortes inundações provocadas pelas chuvas acima da média na bacia daquele que é um dos maiores rios de África - o Zambeze.

Contactámos as responsáveis pelos dois Centros de Acolhimento sediados em Tete - Centro de Acoma e o Centro de S. José de Clunny - mas até ao momento a situação está estável, por estarem na parte alta da cidade, longe das margens dos afluentes do Zambeze, não foram atingidos pelas cheias.

No início do presente mês, o Governo moçambicano emitiu um alerta vermelho à população, numa altura em que a barragem de Cahora Bassa se aproximava do nível de segurança, estando a debitar mais de seis mil metros cúbicos por segundo.

 

Milhares de pessoas ficaram sem tecto, estando muitas delas, em centros de acomodação provisórios (escolas e outros edifícios públicos) distribuídos por várias províncias do país, nomeadamente Tete e Sofala.

O Governo moçambicano está a trabalhar com vários parceiros nacionais e internacionais com o objectivo de assegurar as acções necessárias para a mitigação dos efeitos das cheias. As acções de busca e salvamento prosseguem, ao mesmo tempo que se avança na distribuição de ajuda alimentar, no tratamento da água, no garante de abrigo e se cuida da saúde e nutrição das pessoas afectadas.

Procurámos em diversas fontes obter resultados quantitativos que nos dessem uma visão mais clara da proporção desta catástrofe natural, no entanto, não existe unânimidade no que respeita aos resultados.  Assim, os dados que obtivemos indicam que cerca de 50 pessoas perderam a vida em resultado das cheias, um número indubitavelmente elevado, mas muito aquém dos 700 mortos registados nas cheias de 2000 e 2001.

Aponta-se ainda a perda de cerca de 57 mil hectares de culturas diversas por causa das cheias. Setenta e seis mil pessoas já foram evacuadas das zonas de risco, o equivalente a 16.000 famílias.